Deprecated: Function split() is deprecated in
/home/hlera/public_html/subdominios/frases/DF_conteudo/HP_principal.php on line
19
Despir um corpo a primeira vez
Despir um corpo a primeira vez
é um conhecimento entre dois deuses.
Não se pode profanar o instante.
E os amantes devem manter o ritmo dos altares.
Porque, embora nesses rituais haja sempre
panos e trajes para agradar o Olimpo,
é pra nudez total que o céu nos quer quebrar.
As mãos têm que ter um compasso certo.
Um andante ou claro de Bach nos gestos,
compondo a alegria dos homens e mulheres.
As mãos, sobretudo, não podem se apressar.
Com os olhos, têm que aprender e, com a ponta
dos dedos, contemplar os acordes que irão
surgindo quando, peça por peça,
o corpo for se desvestindo ao pé do altar.
Antes de se tocar com as mãos e lábios,
na verdade, já se tocou o corpo alheio
com um distraído olhar sempre envolvente.
E ninguém toca um corpo impunemente.
Despir um corpo a primeira vez não pode ser
coisa de poeta desatento, colhendo futilmente
a flor oferta num abundante canteiro de poesia.
Nem pode ser coisa de um puro microscopista,
que olha as coisas sabiamente.
Se tem que ser de sábio olhar,
que seja do botânico, porque esse saber aflorar
em cada espécie tem de mais secreto ou distante,
o que cada espécie sabe dar.
Despir um corpo a primeira vez
é conhecer, pela primeira vez uma cidade.
E os corpos das cidades têm portas para abrir,
jardins de pousar, torres e altitudes que excitam a visitação.
Quando os corpos se tocam por acaso,
como se estivessem indo em direções diferentes,
o que ocorre é desperdício.
Não se pode tocar um corpo impunemente.
Para se tocar um corpo completa e profundamente,
num dado instante, os corpos têm que se convergir.
E convergir com uma luz diferente.
A descoberta do outro é isso, é convergência.
Despir um corpo a primeira vez
é como despir um presente, por isso não se pode
desembrulhá-lo assim, às pressas, embora a gula
nos precipite afoitos sobre a pele ofertada.
Não se pode com as mãos infantis,
descompassadas, ir rasgando invólucros,
arrebentando cordões com gula que as crianças
só têm nas confeitarias, antes da indigestão.
Um corpo é surpresa, sempre.
É o que se vê nas praias,
nessa pública ostentação, nesse exercício coletivo
de nudez negaceada, em nada tira a eufórica
contentação do ato, quando os dedos vão
desatando botões e beijos,
e rompendo as presilhas das carícias.
Despir um corpo a primeira vez
não é coisa de amador.
Só se o amador for amador da arte de amar,
porque o corpo do outro não pode ter
a sensação de perda, mas a certeza de que
algo nele se somou, que ele é um objeto
luminoso que a outros deve iluminar.
Um corpo a primeira vez, no entanto,
é frágil e pode trincar em alguma parte.
E os menos resistentes se partem,
quando aquele que os tocam
os toca apenas com cobiça e nunca
a generosa mansidão de quem veio
pela primeira vez, e sempre, para amar.
Fonte: Affonso Romano de Sant'Anna
ID: 844
Últimas Frases
Amigo de Verdade
Amizade: Certa vez um soldado disse ao seu tenente:
- Meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor, solicito permissão para ir buscá-lo.
- Permissão negada! Replicou o oficial. Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto. O soldado, ignorando a proibição, saiu, e uma...
Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra
Pablo Neruda: Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra. ...
Soneto 17
William Shakespeare: Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti...
Gosto de viver
Agatha Christie: "Gosto de viver. Algumas vezes me sinto muito, desesperadamente, loucamente miserável, atormentada pela aflição, mas mesmo diante disso tudo eu compreendo que estar viva é uma coisa grandiosa." ...
Ausência
Carlos Drummond de Andrade: Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
...
Sonhos
Amor: Um dia dei asas a minha imaginação e voei ,
voei ; e voando, voando cheguei a Deus;
e chegando a Deus pedi a ele que me
transforma-se em Sol.
Deus me transformou num Sol, e como Sol
eu te acompanhava por todo o dia; você
sentia minha presença em você...
Mais Frases e Palavras
Mande Frases para os seus amigos no seu Orkut
Seja bem-vindo ao site de
Frases para Orkut.
Aqui você encontra centenas de frases e palavras que você pode usar no Orkut, MySpace, no seu Blog, Fotolog, etc.
Frazis, Frazes, Fraze, Frazi, Frase? Você quis dizer: Frases?